Todos os dias é a mesma cena nas manhãs de segunda à sexta,
da minha vida sem graça. Cá estou, no surrado e incomodo sofá tomando minha
solitária dose de café brasileiro. Me pego olhando pra mesa vazia, onde uma
garrafa de café descansa sobre uma toalha estampada com gravuras de cestos
cheios. Às seis da manhã, minha esposa nunca está em casa, pois nosso filho
caçula têm aulas matinais.
tem alguém me ouvindo? O tilintar da penca de chaves me abduzia, enquanto à lançava ao ar, ansioso pelas horas que de vagava no tempo. Era comum que me encontrassem ali no jardim da escola, sempre depois das quinze e trinta da tarde. Ver o sol engatinhando para atrás dos montes, levando consigo os mistérios daquele dia pra trás das colinas é uma terapia ocupacional; ao ouvir asas de desconhecidos pássaros passando bem ligeiro ao pé do ouvido como um operário que corre pra casa após uma jornada de trabalho. No sombreiro do jardim, eles agitavam no escondidinho das folhas... Ali eu também viajava. Sumia no infinito com o meu olhar fixo na imensidão azulada pois era nessas horas que problema algum me superava. Aflição nenhuma era suficiente para deter meus imaginários. Ali eu encontrei o caminho secreto que leva ao palácio das memórias trancadas: eu de mim! Para chegar no palácio não é tão fácil, pois há portas e portais com trancas gigantescas que em nosso mundo ex...

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